21 agosto 2013

PARÁ: Governo vai ampliar áreas de plantio de açaí para reduzir o preço

Pelo quarto mês consecutivo, o preço do litro do açaí comercializado na Grande Belém voltou a cair. Em alguns casos, a queda é de mais de 7%, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Em março, o litro do açaí tipo médio, o mais consumido pela população, custava em média R$ 20, mas o preço foi despencando e chegou a R$ 14,71, no mês passado. Nas feiras livres, o menor preço encontrado é R$ 8, e o maior R$ 12, enquanto nos supermercados o produto vai de R$ 15 a R$ 18,99, o litro.
O Pará é o maior produtor nacional de açaí. Segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri), a cadeia produtiva do Estado envolve mais de 200 mil pessoas e movimenta quase R$ 2 bilhões a cada ano, tendo como principais produtores os municípios de Abaetetuba e Barcarena, na região do Baixo Tocantins. O governo do Estado vem investindo em programas que buscam melhorias na qualidade do produto, com introdução de boas práticas de produção, da plantação e coleta até a comercialização do fruto, passando pelo transporte e fabricação artesanal ou industrial.
O gerente de Fruticultura da Sagri, Geraldo Tavares, explica que a condição do preço está atrelada à demanda do produto. O preço do açaí deve diminuir ainda mais no período de safra, que começou em julho. “No primeiro semestre, quase não tem açaí, porque a safra só ocorre no segundo semestre”, diz, destacando que, atualmente, a demanda no Estado ainda é insatisfeita, ou seja, não há produto para todos os consumidores. Isso implica na baixa dos preços somente em épocas sazonais, quando há bastante oferta de açaí.
Para ampliar essa oferta e estabilizar o preço, a Sagri e outras instituições públicas e privadas têm feito investimentos em tecnologia e ampliado as áreas para plantação. “A área natural, das várzeas, tem um limite de expansão, e a maioria é localizada em locais distantes, o que dificulta o transporte para a capital. A opção que adotamos, com vários investidores e plantadores, é fazer o plantio em terra firme”, explica o gerente.
Para isso, diz ele, é necessário dispor de variedades de sementes que se adaptem a determinadas condições e investir em tecnologia, por exemplo, de irrigação. A Sagri, nos últimos sete anos, tem feito a distribuição de sementes selecionadas de açaí em todo o Estado, cultivadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) por meio de convênio com a secretaria.
Para começar a ser produzido comercialmente, o fruto leva de três a quatro anos. As sementes distribuídas nesses sete anos em breve estarão influenciando no aumento da quantidade do fruto. “Se produzirmos, por exemplo, de 2008 a 2013 mais de 20 milhões de mudas, podemos concluir que nos próximos dez anos vamos ter uma resposta satisfatória dessa área plantada. É um projeto a médio e longo prazo, mas se não começarmos a fazer agora não teremos no futuro”, diz Geraldo.
Além de ampliar a quantidade ofertada do açaí, é necessário cuidar da qualidade do fruto. Para isso, foi lançado em 2011 o Programa Estadual de Qualidade do Açaí (Peqa), que abrange toda a cadeia produtiva do fruto, tanto na produção como no beneficiamento, especificamente capacitando batedores artesanais para o melhor manuseio do produto. As ações do programa visam inibir os problemas mais cruciais da cadeia, como exemplo, a contaminação do suco de açaí causado pelo uso não adequado de procedimentos durante o processamento.
“Somente em Belém temos cerca de três mil batedores, mas é importante certificamos a qualidade deles. Quando você manuseia o fruto com a mão suja, está colocando micro-organismos como bactérias e fungos no fruto. Esses treinamentos mostram para o produtor e, principalmente, o batedor, que existem métodos de fazer esse processo usando a tecnologia”, explica Geraldo, destacando o uso do branqueador de açaí, que eleva a temperatura do fruto a 80° e depois faz um choque térmico no fruto, eliminando os micro-organismos que possam existir.
Fonte: Postado por Agência Araguaia CAPC em 21 de agosto de 2013 em Pará

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