23 agosto 2013

EDUCAÇÃO TOCANTINENSE À DERIVA

Trabalhar há mais de quinze anos na rede de ensino público tocantinense, em diferentes cargos e funções, tanto administrativas quanto docente, em constante aperfeiçoamento, com certeza permite compreender bem a realidade em que se atua. Assim, se pode afirmar que a Educação Tocantinense, apesar das inúmeras propagandas e investimentos, estar sem rumo, à deriva, sofrendo, inclusive absurdos retrocessos.
Todos sabem e defendem a educação, tanto pública quanto particular, porém a mesma tem sido penalizada, cada vez mais, por interesses particulares e políticos, os quais a utilizam como objeto de promoção pessoal e econômica. Se houver dúvidas, então confira:

* Tem-se uma ex-secretária de educação Deputada Federal à custa de sua atuação na referida pasta, durante a qual responde processo por irregularidades na seleção dos livros didáticos e acusações de uso da máquina pública para se eleger;

* Tem-se a seleção de diretores de escolas a partir de indicação política, as quais são utilizadas para se usar as escolas como espaços de captação de votos para os políticos locais e regionais. Assim, as pessoas para serem contratadas têm que ser fiéis ao grupo que nomeia os diretores, e se romperem com tal compromisso não têm seus contratos renovados. Muitos inclusive tem que participar de comícios e declarar apoio aos candidatos no período de campanhas eleitorais.

* As escolas, com seus diretores nomeados, muito frequentemente são "orientadas" a contratar serviços e comprar mercadorias de fornecedores e prestadores determinados pelos políticos que os nomearam (tal prática fere mortalmente a lei de licitação 8.666/93).

* As formações pedagógica promovidas aos professores são de baixa qualidade (salvo raras exceções): formadores de mesma ou inferior formação dos cursistas; não continuidade de programas de formação (Pós-graduação em avaliação escolar – CESGRANRIO; e Gestão Qualidade Escolar – (GESTAR); e até mesmo não se cumpre adequadamente o pagamento de contratos relacionados a eventos culturais e educacionais – Feira Internacional do Tocantins – FLIT 2012, por exemplo; muitas escolas encontram-se depredadas e desestruturadas por causa de insuficiência ou atraso no repasse dos recursos;

* Os professores, a partir deste ano, têm que ministrar disciplinas para as quais não estão qualificados (ex.: professor de todas as áreas ministram aulas de Educação Física, Religião, Arte, Filosofia etc.), prejudicando absurdamente a qualidade do ensino e aumentando o estresse profissional.

* Os professores não têm recursos adequados para ministrar suas aulas: faltam até pincéis para lousa, não há laboratório de ciências e informática; carência de reforma das instalações ou climatização das salas de aula (há salas mesmo sem ventiladores), tornando quase insuportável a condução das aulas pelos professores.

* Muitos servidores e professores têm desistido de atuar no ensino tocantinense dadas as péssimas condições – muitos pedem licença para interesse particular e não voltam mais; outros solicitam exoneração e assumem outros concursos em outras áreas, e muitos esperam ansiosamente pela aposentadoria.

* Há dois anos alunos tiveram prometida pelo governo do estado a doação de uniformes escolares e nunca os receberam;

* Os professores não escolhem livremente os livros didáticos, pois são “convidados” a selecioná-los em grupo de escolas ou até mesmo por municípios. E sempre faltam livros.

* Os alunos da Educação de Jovem, Adultos e Idosos – EJAI – não têm professores qualificados para esta modalidade de ensino; não recebem livros didáticos; nem muito menos acompanhamento ou orientação diferenciada ou especializada, o que contribui para a evasão massiva.

* O lanche servido nas escolas encontra-se precarizado e de baixa qualidade: os alunos do turno noturno, por exemplo, recebem um copo de suco e um bolo pequenos, os quais não os satisfazem, pois a maioria não jantam devido ao horário reduzido entre trabalho e a escola;

* As Associações de Apoio às Escolas não funcionam adequadamente, pois não se reúnem regularmente; muitos membros não têm mínima formação e compreensão para atuar bem e apenas assinam o que lhes é pedido devido amizade ou ao parentesco ao presidente da associação – que não é eleito e sempre é o diretor escolar – nomeado pelos políticos;

* A implantação das escolas de tempo integral é deficitária, pois as mesmas não são ampliadas ou adaptadas, os professores que atuam no programa, em geral, não são capacitados para o mesmo, são indicados pelos políticos e há até mesmo emprego de parentes e amigos – não há seletivo público e criterioso.

* A classe de servidores encontra-se desmotivada, desvalorizada e mal representada devido ao descaso do governo com a categoria. O sindicato da categoria é submisso ao governo; os salários encontram-se defasados e os contratados demoram a receber ou até mesmo não recebem adequadamente.

Por tudo isto só resta a insatisfação, a preocupação e a indignação dos que acompanham e lutam por uma educação de qualidade.

Assim, faz-se necessário tornar pública as condições impostas aos educadores e alunos do estado do Tocantins, de modo que a opinião pública compreenda e cobre as melhorias necessárias.

(Por Francisco Monteiro, professor)


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