19 junho 2014

“O governo não pode mais conter a informação”, diz Yoani Sanchez sobre novo site

Redação Portal IMPRENSA | 18/06/2014 18:00

Após realizar o sonho de desenvolver um portal de notícias em Cuba, a blogueira Yoani Sánchez diz estar recuperando o tempo perdido. Com o apoio de uma equipe de onze pessoas, além de colaboradores e colunistas em algumas províncias da ilha, a jornalista montou o 14ymedio, jornal online disposto, segundo ela, a mostrar a realidade da região.

“A sociedade cubana precisa ser permeada de informação, debates, opiniões. Somos muito frágeis e podemos cair nas mãos do próximo autoritarismo se a imprensa não fizer um trabalho informativo forte”, afirmou Yoani, em entrevista para O Globo.
Crédito:Divulgação
Yoani Sanchez falou sobre as expectativas de seu novo portal de notícias
A jornalista contou ainda que o funcionamento do 14ymedio, no ar há 14 dias, é “um pouco esquizofrênico”, mas já visualiza um novo cenário. “Não me veem mais como a louca do blog”, lembra, ao risos, do Geração Y, espaço na web onde se tornou conhecida no país e no mundo. “Trabalhamos num suporte offline que nos permite ver como ficaria a página definitiva, e, quando temos material suficiente, vamos para locais públicos com acesso à Internet, ou hotéis, que são bastante caros, e tentamos atualizar o site”. 

Feliz com o inicio dos trabalhos, ela não se sente coagida pelo governo de Raul Castro, uma vez que não daria mais para esconder os fatos da população. “Não há nada mais atraente do que o proibido. Nos anos 1970, Pedro Luis Boitel, um prisioneiro político, morreu após uma greve de fome. Minha geração só veio a saber da morte dele quase duas décadas mais tarde. Apenas 24 horas após a morte de Orlando Zapata, em 23 de fevereiro de 2010, toda Havana já estava sabendo. O governo não pode mais conter a informação, ela vaza cada vez mais rápido”.

Com conteúdos a respeito do cotidiano cubano, o 14ymedio apresenta resenha de livros, reportagens, além de dicas de cuidados com cabelos, entrevistas e artigos de opinião. “Em Cuba, há duas maneiras de se fazer jornalismo: a oficial, que é horrorosa, e outra de barricada, de denúncia, que criou uma estrutura rígida. Podemos fazer um jornalismo que não seja de barricada. O que acontece é que a realidade cubana é profundamente oposicionista, dá sinais de que o sistema tem de mudar, de que muitas coisas são absurdas”. 

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