23 setembro 2014

Polícia de Goiás pede quebra do sigilo bancário para descobrir origem dos R$ 504 mil apreendidos em avião


De: AF Notícias / Jornal do Tocantins - 23/09/14 09h01 

A Polícia Civil de Goiás quer a quebra do sigilo bancário de Douglas Alencar, Roberto Carlos Maya Barbosa, Lucas Marinho e Marco Antônio Jayme Roriz, detidos na última quinta-feira (17) no aeroporto de Piracanjuba (GO). Os quatro foram presos após serem flagrados pela Polícia Civil tentando embarcar em um avião com R$ 504 mil em dinheiro.

Apesar de terem sido soltos, a Polícia Civil continua as investigações sobre a origem e destino do dinheiro apreendido. Os quatro foram autuados por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crime contra a ordem financeira, eles, que foram liberados após pagamento de fiança na noite do último domingo, estavam presos no presídio de Piracanjuba.

Em entrevista ao Jornal do Tocantins, o delegado da Polícia Civil de Itumbiara (GO) Ricardo Chueire, responsável pelo inquérito, informou que o próximo passo será pedir a quebra do sigilo bancário dos envolvidos para buscar informações sobre a origem do dinheiro. Ele ressaltou que a versão que circula na imprensa tocantinense de que o dinheiro é oriundo de um empréstimo feito no Distrito Federal feito por Douglas para pagar dívidas de suas empresas não está sendo considerado pela polícia.

No avião também havia material de campanha de Carlos Henrique Gaguim e Marcelo Miranda, ambos do PMDB, respectivamente candidatos a deputado federal e governador pela coligação A experiência faz a mudança.

Segundo Chueire, a libertação dos presos “já era esperada, já que nesses casos é comum que a Justiça conceda o direito de liberdade provisória”. Ainda conforme o delegado, a fiança de Douglas Alencar, apontado pela polícia, como líder do grupo, e que era de R$70 mil, foi reduzida em 50% após pedido da defesa. “A fiança do Roberto (Maya) e do Marco (Roriz) também foi reduzida em 50%. Já a fiança do Lucas (Marinho) foi retirada”, disse o delegado.

A Polícia Civil ainda não liberou o avião, que continua apreendido em Goiás. O JTo tentou falar novamente com o proprietário da aeronave, o empresário Ronaldo Japiassú, mas não teve sucesso.

Justiça Eleitoral

O Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO) receberam cópias dos autos, que foram repassados pelo delegado Chueire na manhã de ontem. O procurador regional eleitoral no Tocantins, Álvaro Manzano, informou que ainda não analisou os documentos e por isso ainda não poderá falar sobre o assunto. Questionado até quando o MPE pode atuar, ele explicou que pode tomar uma decisão sobre o caso até a diplomação dos eleitos, que deve ser feita até o dia 19 de dezembro deste ano.

O TRE-TO também confirmou o recebimento dos autos, mas só se “pronunciará sobre o assunto após ser provocado pelo órgão competente por instruir a denúncia”. O procurador Manzano explicou que o envio de cópia dos autos para o TRE é cumprimento de formalidade, mas será o MPE que avaliará se é apresentará denúncia ou não por crime eleitoral.

Defesa

Questionada sobre a possibilidade de a reportagem falar com Douglas ou com outro membro do grupo de acusados, a advogada Natália Spadoni disse que não seria possível. “Ninguém vai declarar nada, estamos em um momento de organização e uma entrevista pode atrapalhar a linha da defesa.”

Entenda

A Polícia Civil apreendeu na última quinta-feira uma aeronave com R$ 504 mil em espécie e mais de 3 quilos de material de campanha. Na sexta-feira, a polícia descobriu que o saldo da conta de Lucas Marinhos, onde foi sacado os R$ 504 mil, era de R$ 1,5 milhão, sendo que deste valor foram transferidos R$ 310 mil para a conta da namorada de Douglas Alencar, identificada apenas como Lais, e R$ 680 mil para duas empresas não identificadas de Palmas. (Jornal do Tocantins)

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