23 setembro 2014

Delegado do caso em Goiás refuta acusação de armação: "Eu e meus companheiros não nos prestamos a esse papel”

21/09/14 04h04 21/09/14 04h42 - De: Cleber Toledo

Ricardo Chueire diz a jornal que continuará investigando a possibilidade de lavagem de dinheiro e que a questão política ficará para a PRE e para o TRE do Tocantins
Da Redação

O delegado da Polícia Civil de Itumbiara (GO), Ricardo Chueire, refutou a acusação de que tenha sido armação a prisão de quatro homens e a apreensão de um avião, R$ 500 mil e panfletos dos candidatos a governador Marcelo Miranda (PMDB) e a deputado federal Carlos Gaguim (PMDB), na quinta-feira, 18, em Piracanjuba (GO). A informação é do Jornal do Tocantins deste domingo, 21.

Chueire disse ao impresso que ele e seus companheiros da delegacia “não se prestam a esse tipo de papel”. "Infelizmente hoje, no Brasil, todas as vezes que alguém se sente atacado pela Polícia ou tem algum interesse contrariado, ou critica a polícia, ou fala que é armação”, lamentou o delegado.

Ele reafirmou, como vem dizendo desde o episódio, que não vai entrar na questão política do caso e que continuará investigando a possibilidade de lavagem de dinheiro. O delegado já tinha dito em nota que, assim que concluído, enviará o inquérito à Procuradoria Regional Eleitoral do Tocantins e ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado. “Vamos reunir os elementos que indicam a possível existência de crime eleitoral, e os indícios são fortes, para que a investigação ocorra no Tocantins”, afirmou ao jornal.

O procurador regional eleitoral, Álvaro Manzano, disse ao CT nesse sábado, 20, que deverá receber os documentos somente na terça, 23, ou quarta-feira, 24.
Foto: SSP-GO/Divulgação
 
Avião aprendido pela Polícia com mais de R$ 500 mil e panfletos de Marcelo e Gaguim

Ligação para o Tocantins
O delegado estranhou o fato de o preso Douglas Marcelo Alencar Shimtt, de 39 anos, ter ligado para um site de Palmas. “Conversou por onde se ele está preso?”, questionou. Chueire disse em seguida que isso pode ter ocorrido através de um telefone emprestado por outro preso.

Na suposta entrevista concedida a esse site e num suposto e-mail enviado, Douglas, considerado pela Polícia o líder dos quatro homens presos, acusa o ex-secretário estadual de Relações Institucionais Eduardo Siqueira Campos (PTB) de usá-lo para atingir o candidato da coligação "A Experiência Faz a Mudança", Marcelo Miranda.

As fianças
Além de Douglas, continuam no presídio de Piracanjuba os demais presos - Lucas Marinho Araujo, de 22 anos, considerado pelos policiais como "laranja que cedeu a conta" para o saque os mais dos R$ 500 mil apreendidos; o piloto Roberto Carlos Maya Barbosa, 46 anos, e o motorista Marco Antonio Jayme Roriz, 46. Chueire disse, contudo, que eles não devem permanecer por muito tempo na cadeia. Segundo o delegado, eles devem obter liberdade provisória rapidamente "porque esses crimes não são hediondos ou com violência e grande ameaça".

A Justiça de Goiás fixou na noite de sexta-feira, 19, o valor da fiança dos presos: R$ 70 mil para Douglas e variando de 10 a 20 salários mínimos (de R$ 7.240 a R$ 14.480) para os outros três. A advogada de Douglas, Natália Spadoni, considerou o valor exorbitante e estaria recorrendo.

A Polícia disse que os três dos homens - com exceção do piloto - afirmaram na quinta-feira que o dinheiro preendido seria usado para custear despesas de campanha de Marcelo devido ao bloqueio de contas determinado pela Justiça contra o candidato.

Contudo, conforme nota do delegado Chueire, na sexta-feira, eles mudaram a versão após terem acesso a advogado: "Já na Delegacia todos, menos o piloto, confessaram aos policiais que aquele dinheiro se destinava a custear despesas de campanha do candidato Marcelo Miranda ao governo de Tocantins, porém, ao terem o direito de acesso a advogado, mudaram a versão e passaram a afirmar que seria fruto de um empréstimo tomado por Douglas em Brasília e que a conta do piracanjubense Lucas teria sido emprestada para isso, ou seja, receber o dinheiro", afirmou o delegado.

De acordo com o depoimento de Lucas, foram depositados na conta dele em Piracanjuba R$ 1.505.900. No primeiro momento, Lucas disse ao delegado que o dinheiro teria vindo de uma fazenda no Pará. Ainda conforme o preso, a pedido de Douglas, ele transferiu R$ 400 mil para Triple; R$ 288 mil para um tal "Schineder"; e R$ 310 mil para a namorada de Douglas, identificada como "Laís". Foram sacados os R$ 507 mil apreendidos na mochila de Douglas e R$ 900 ficaram na conta de Lucas. 

Negaram envolvimento
Ainda na quinta-feira, durante entrevista numa sabatina, o ex-governador Marcelo Miranda negou qualquer envolvimento com o caso. "Se houve algo errado alguém vai ter que se explicar. Eu realmente não posso falar nada mesmo porque eu não conheço essa questão até esse momento", disse. O ex-governador Carlos Gaguim também afirmou não ter qualquer relação com o episódio e que faz seu material gráfico no Tocantins. Na sexta-feira, Gaguim pediu às Polícias Federal e Civil a quebra de sigilo telefônico dos ocupantes da aeronave apreendida, além de outras providências também do Ministério Público Eleitoral.

O CT tentou falar durante todo esse sábado com advogada dos presos, Natália Spadoni, mas ela não atendeu nenhum dos números que o site obteve.

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