Joelson Pereira dos Santos
Há quem tenha a coragem de afirmar que nessa greve reivindicamos aumento salarial e, pasmem, que professores e professoras tocantinenses não teriam qualquer motivo para reclamar
Tendências e Ideias - Em 09/07/2015 - De Jornal do Tocantins (Reprodução)
A greve dos educadores do Estado do Tocantins
A greve dos educadores tocantinenses chega a sua terceira semana. Em todo estado temos aproximadamente 90% das escolas paradas; em Palmas, 100%. Infelizmente, a força do movimento grevista parece não ter sido suficiente para sensibilizar o governador Marcelo Miranda (PMDB) a enfrentar e solucionar o caos em que se encontra a Educação desse estado. Ao que tudo indica, mais de 150 mil crianças e adolescentes sem aulas parece não ter sido um motivo suficientemente forte nem mesmo para que o governador adiasse sua viajem ao exterior.
Além dessa postura aparentemente despreocupada do governador Marcelo Miranda (PMDB), outros posicionamentos públicos acerca da greve causam surpresa. Uma parte da imprensa ao falar da greve faz questão de registrar o número de crianças e adolescentes prejudicados, fala superficialmente das reivindicações dos grevistas e da resposta do governo de que não tem como atende-las, mas, em nenhum momento faz qualquer referência ao número absurdo de nomeações de cargo comissionados promovidas pelo governo ou sobre o verdadeiro loteamento das direções de escola aos apoiadores da campanha de Marcelo Miranda (PMDB) que tem ocorrido, sobretudo no interior.
Nesse momento há a clara intenção de parte da imprensa de jogar a sociedade contra os grevistas. Postura que só pode ser classificada como covarde. Afinal, essa mesma categoria que hoje é crucificada entrou em greve em 2014 contra a falta de repasses financeiros para as escolas, inclusive da merenda escolar. Algumas escolas chegaram a dispensar alunos/as no final do ano letivo de 2014 por falta de merenda escolar, como foi o caso do Colégio Militar de Palmas.
Esse mesmo sindicato que hoje é caluniado entrou em greve pela regularização dessa situação. Será que naquele momento estávamos sendo precipitados? Mas, pior do que não falar tudo o que tem a ser dito sobre a greve é mentir. Há quem tenha a coragem de afirmar que nessa greve reivindicamos aumento salarial e, pasmem, que professores e professoras tocantinenses não teriam qualquer motivo para reclamar. Obviamente que não desejamos entrar em nenhuma polêmica, mas, é importante registrar que dos nove pontos da pauta de greve, somente dois estão relacionados ao salário: queremos receber direitos adquiridos ainda em 2013 e não queremos que o reajuste do salário seja parcelado, pois, isso causaria uma perda salarial. Isso é injusto?
É claro que nesse momento conturbado os apoiadores do Marcelo Miranda (PMDB) farão a defesa do seu governo, mas, fazê-lo usando mentiras é algo inadmissível. A impressão que querem passar ao conjunto da sociedade é a de que trabalhadores e trabalhadoras da educação estão reclamando de barriga cheia. Às vezes fica a impressão que nossa categoria é, de longe, a mais valorizada, que vivemos um mar de rosas. Se isso de fato fosse verdadeiro, teríamos filas de pessoas tentando entrar nos cursos de licenciatura no nosso estado. A realidade, porém, é muito distante do quadro pintado pelo governo. Para ser ter uma ideia, dentre os 10 cursos mais concorridos no último vestibular da UFT nenhum é Licenciatura, os que preparam para a docência. Em contrapartida, dentre os 10 menos concorridos, 6 são Licenciaturas.
Outro dado que precisa ser lembrado é que o maior número de afastamentos de servidores/as por problemas psíquicos ocorre na Educação. Acreditamos que os fatos devem servir de fiadores de nossas palavras. Esperamos que a sociedade tocantinense saiba avaliar a postura de cada um dos envolvidos nessa greve e, sobretudo, cobrar de cada um o que for devido.
Há quem tenha a coragem de afirmar que nessa greve reivindicamos aumento salarial e, pasmem, que professores e professoras tocantinenses não teriam qualquer motivo para reclamar
Tendências e Ideias - Em 09/07/2015 - De Jornal do Tocantins (Reprodução)
A greve dos educadores do Estado do Tocantins
A greve dos educadores tocantinenses chega a sua terceira semana. Em todo estado temos aproximadamente 90% das escolas paradas; em Palmas, 100%. Infelizmente, a força do movimento grevista parece não ter sido suficiente para sensibilizar o governador Marcelo Miranda (PMDB) a enfrentar e solucionar o caos em que se encontra a Educação desse estado. Ao que tudo indica, mais de 150 mil crianças e adolescentes sem aulas parece não ter sido um motivo suficientemente forte nem mesmo para que o governador adiasse sua viajem ao exterior.
Além dessa postura aparentemente despreocupada do governador Marcelo Miranda (PMDB), outros posicionamentos públicos acerca da greve causam surpresa. Uma parte da imprensa ao falar da greve faz questão de registrar o número de crianças e adolescentes prejudicados, fala superficialmente das reivindicações dos grevistas e da resposta do governo de que não tem como atende-las, mas, em nenhum momento faz qualquer referência ao número absurdo de nomeações de cargo comissionados promovidas pelo governo ou sobre o verdadeiro loteamento das direções de escola aos apoiadores da campanha de Marcelo Miranda (PMDB) que tem ocorrido, sobretudo no interior.
Nesse momento há a clara intenção de parte da imprensa de jogar a sociedade contra os grevistas. Postura que só pode ser classificada como covarde. Afinal, essa mesma categoria que hoje é crucificada entrou em greve em 2014 contra a falta de repasses financeiros para as escolas, inclusive da merenda escolar. Algumas escolas chegaram a dispensar alunos/as no final do ano letivo de 2014 por falta de merenda escolar, como foi o caso do Colégio Militar de Palmas.
Esse mesmo sindicato que hoje é caluniado entrou em greve pela regularização dessa situação. Será que naquele momento estávamos sendo precipitados? Mas, pior do que não falar tudo o que tem a ser dito sobre a greve é mentir. Há quem tenha a coragem de afirmar que nessa greve reivindicamos aumento salarial e, pasmem, que professores e professoras tocantinenses não teriam qualquer motivo para reclamar. Obviamente que não desejamos entrar em nenhuma polêmica, mas, é importante registrar que dos nove pontos da pauta de greve, somente dois estão relacionados ao salário: queremos receber direitos adquiridos ainda em 2013 e não queremos que o reajuste do salário seja parcelado, pois, isso causaria uma perda salarial. Isso é injusto?
É claro que nesse momento conturbado os apoiadores do Marcelo Miranda (PMDB) farão a defesa do seu governo, mas, fazê-lo usando mentiras é algo inadmissível. A impressão que querem passar ao conjunto da sociedade é a de que trabalhadores e trabalhadoras da educação estão reclamando de barriga cheia. Às vezes fica a impressão que nossa categoria é, de longe, a mais valorizada, que vivemos um mar de rosas. Se isso de fato fosse verdadeiro, teríamos filas de pessoas tentando entrar nos cursos de licenciatura no nosso estado. A realidade, porém, é muito distante do quadro pintado pelo governo. Para ser ter uma ideia, dentre os 10 cursos mais concorridos no último vestibular da UFT nenhum é Licenciatura, os que preparam para a docência. Em contrapartida, dentre os 10 menos concorridos, 6 são Licenciaturas.
Outro dado que precisa ser lembrado é que o maior número de afastamentos de servidores/as por problemas psíquicos ocorre na Educação. Acreditamos que os fatos devem servir de fiadores de nossas palavras. Esperamos que a sociedade tocantinense saiba avaliar a postura de cada um dos envolvidos nessa greve e, sobretudo, cobrar de cada um o que for devido.
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