Por Thiago Ney , iG São Paulo | 05/04/2015 09:57 - Atualizada às 05/04/2015 12:14
Lançamento do Tidal, de Jay Z, mostra que artistas apostam no modelo de negócios - que cresceu 29% nos EUA em 2014
A indústria fonográfica foi construída tendo o vinil como alicerce. Depois apareceu o CD e, atualmente, é o download o modo de distribuição que empurra com mais força a engrenagem. Mas o futuro (próximo) será do streaming. Não à toa, 16 dos maiores popstars da música decidiram se unir em torno do Tidal, plataforma lançada com estardalhaço nesta segunda-feira (31).
Artistas reunidos no lançamento do Tidal, serviço de streaming encabeçado pelo rapper Jay-Z. Foto: Reprodução
Jay Z, Beyoncé, Kanye West, Daft Punk, Madonna, Calvin Harris, Chris Martin (Coldplay), Win Butler/Régine Chassagne (Arcade Fire), Alicia Keys, Nicki Minaj, Rihanna, Usher, Deadmau5, Jack White, J. Cole e Jason Aldean. Esses são os donos do Tidal, que entra em um mercado em que já atuam Spotify, Deezer, Rdio, Grooveshark e Google Play Music, entre outros, e que, ainda neste ano, verá uma nova jogada da Apple.
Mesmo tendo no comando um time de estrelas, o Tidal não assusta os concorrentes. "Eu ficaria assustado se ninguém quisesse investir no mercado em que estou", afirma ao iG Mathieu Le Roux, diretor do Deezer para a América Latina.
Anthony Bay, CEO do Rdio, disse estar "satisfeito em ver tantos artistas importantes reafirmando o valor e os benefícios que os serviços de streaming de música trouxeram".
Para Ethan Rudin, do Rhapsody, "estamos ainda no estágio inicial do streaming de música, e se isso (o lançamento do Tidal) pode ser visto como uma iniciativa para educar as pessoas quanto ao futuro a longo prazo deste formato de consumo de música, então é algo que me deixa bem entusiasmado".
O otimismo com relação ao streaming é baseado nos números crescentes de receita que o formato tem gerado, enquanto a quantidade de venda de CDs cai ano a ano, há algum tempo, e o número de downloads pagos também sofreu quedas em 2013 e em 2014, após um pico em 2012.
De acordo com dados da RIAA (Associação da Indústria Fonográfica da América), o mercado de streaming nos EUA chegou a US$ 1,87 bilhão em 2014, ultrapassando o de CDs (US$ 1,85 bilhão). A fatia relacionada aos downloads pagos diminuiu para US$ 2,58 bilhões. Enquanto a receita criada pelo download caiu 8,7% em relação a 2013, a do streaming subiu 29%.
"Os artistas entenderam que o modelo de negócio será o do streaming", avalia Mathieu Le Roux. "Esses artistas criaram um serviço que é muito similar aos outros que já existem. O que acontece é que um usuário pode até mudar de um serviço de streaming para outro, mas dificilmente deixará esse mercado."
Artistas x gravadoras
Um dos argumentos que os popstars que comandam o Tidal usaram para defender a plataforma é a de que, justamente por ter artistas como donos, ela vai repassar mais dinheiro para os artistas. O Spotify, por exemplo, tem entre os acionistas as três maiores gravadoras do mundo (Universal, Warner e Sony).
Esse raciocínio é colocado em dúvida pelos concorrentes. O Deezer, por exemplo, fica com 30% da receita gerada pelos streamings (usuários que pagam pelo serviço mais publicidade veiculada para aqueles que usam o serviço sem desembolsar nada). Os outros 70% vão para as gravadoras - o que chega a cada artista depende do acordo que cada um tem com a gravadora.
"Os artistas que são acionistas do Tidal certamente ganharão mais por serem acionistas. Mas será que os outros artistas ganharão tão bem?", questiona Mathieu.
Qualidade do áudio
Outro argumento utilizado para atrair consumidores ao Tidal é a qualidade do áudio. O serviço pode oferecer canções em arquivos com tamanho de até 1.411 kbps - nos concorrentes, normalmente não ultrapassa 320 kbps.
Para ter essa qualidade, o usuário do Tidal terá de pagar US$ 19,99 - o Tidal também possui mensalidade de US$ 9,99 para arquivos com áudio inferior (preço e qualidade semelhantes aos dos concorrentes).
Especialistas colocam em dúvida se as pessoas optarão por pagar US$ 19,99 para um arquivo cuja qualidade só poderá ser apreendida em um sistema de som potente, o que não é o caso dos fones de ouvido mais usados no mundo.
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